Política
OPINIÃO: O cálculo político de uma disputa
Nesta sexta-feira (21/08), o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro fez carreata em Duque de Caxias ao lado de Douglas Ruas, rival de Eduardo Paes na disputa pelo governo do estado. A Família Reis, que apoia Paes, não estava lá. A pergunta natural é: isso custa caro aos Reis junto ao eleitorado bolsonarista? A resposta curta é: por enquanto, pouco, mas o motivo de custar pouco agora é justamente o que garante que vai custar mais tarde. Explico o raciocínio passo a passo.
Primeiro: por que o custo imediato é baixo
Existem dois fatores que seguram o preço da ausência no curto prazo, e os dois precisam estar juntos para o argumento fechar.
O primeiro é que os Reis não estão sozinhos. Nove dos 13 prefeitos da Baixada Fluminense já apoiam Paes; Ruas só emplacou em três municípios. Quando quase toda a região faz o mesmo movimento, fica mais difícil apontar o dedo só para os Reis: a “culpa”, se existe, está diluída entre quase todo mundo.
O segundo fator é que Ruas não tem estrutura para potencializar essa insatisfação em prejuízo real. Mesmo que parte do eleitorado bolsonarista se incomode com a aliança dos Reis, não existe hoje, na Baixada, uma máquina eleitoral alternativa forte o bastante para captar esse descontentamento e convertê-lo em votos contra a família. Sem esse canal, o incômodo fica no campo do discurso, não se traduz em derrota nas urnas.
Segundo: a manobra que os Reis já fizeram para se proteger
Sabendo que o incômodo existe, mesmo sem custo imediato, os Reis já se anteciparam: Jane Reis, vice na chapa de Paes, declarou publicamente que vai apoiar Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. É um gesto calculado, que serve para poder responder à acusação de “traição” com uma resposta pronta: “não abandonamos o campo bolsonarista, apoiamos Flávio para presidente”.
O problema é que esse gesto é simbólico, e a ausência em Caxias nesta sexta foi física. Palavra e presença são moedas diferentes para quem observa de perto. Prometer apoio nas redes é uma coisa; não aparecer no palanque local, na cidade que a própria família manda, é outra. Quem está mais atento à causa bolsonarista tende a pesar mais o segundo.
Terceiro: onde o preço realmente se acumula
Aqui está o ponto central do raciocínio: o custo baixo agora não significa custo zero, significa custo adiado, e ele se acumula num lugar específico: a militância mais ideológica, não o eleitor médio.
Essa militância não decide o resultado de outubro sozinha, mas é ela que sustenta engajamento, boca a boca e mobilização de rua nas eleições seguintes. E esse público tem histórico de cobrar esse tipo de conta. Um episódio recente, em outra frente da disputa fluminense, ilustra bem o tom dessa cobrança: quando aliados históricos de campos opostos se uniram na disputa pela prefeitura do Rio, a candidata a vereadora Negona do Bolsonaro (PL-RJ) classificou o movimento de “hipocrisia” e disse que “o medo da direita é tão grande que todos os ratos se unem, mesmos ratos que até outro dia se diziam inimigos”, frase que circulou em grupos de WhatsApp e Telegram cobrando o aliado por “não valer nada”. Não é o mesmo caso dos Reis, mas é o mesmo tipo de cobrança que uma aliança pragmática costuma provocar na militância mais ideológica: é esse tipo de desgaste, não a perda de votos agora, que os Reis também estão acumulando.
Conclusão: por que “pouco custo agora” é justamente o alerta
Juntando as três partes: os Reis pagam pouco hoje porque não estão sozinhos e porque o adversário não tem estrutura para puni-los nas urnas. Mas usam esse período de baixo custo para blindagem simbólica (o apoio de Jane a Flávio), sabendo que a fatura real não é eleitoral, é de credibilidade junto à militância. E fatura de credibilidade não vence no dia da eleição: vence na próxima vez em que a família precisar, de fato, da lealdade dessa base para se manter relevante no campo bolsonarista. Foi isso que ficou pendente nesta sexta, em Caxias.
-
Política2 meses atrásAliança entre Garotinho e Zito é oficializada e ex-prefeito coordenará pré-campanha em Duque de Caxias
-
Vídeos5 anos atrásPai de Santo de Jardim Primavera entra no roteiro dos Festivais de Axé!
-
Educação4 meses atrásServidores da educação protestam em Duque de Caxias e cobram reajuste após 10 anos sem recomposição salarial
-
Cidades5 anos atrásMulheres ocupam prédio abandonado no Centro de Duque de Caxias em protesto contra violência
-
Religião e Fé5 anos atrásDa Páscoa Judaica à Páscoa Cristã: o Cordeiro que Liberta e Redime em Jesus Cristo
-
Esportes5 meses atrásApós 7 anos, Jogos Estudantis voltam a ser realizados em Duque de Caxias
-
Política5 anos atrásAssembleia deve modificar proposta que muda distribuição do ICMS
-
Religião e Fé2 meses atrásEstudante de 14 anos é expulso de ônibus em Duque de Caxias e denuncia intolerância religiosa



