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Meio Ambiente

Duque de Caxias vive desafio ambiental histórico, alerta professora Marlúcia Santos no Dia Mundial do Meio Ambiente

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Celebrado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente convida à reflexão sobre a relação da humanidade com os recursos naturais e os impactos causados pela degradação ambiental. Em um cenário marcado pelas mudanças climáticas, eventos extremos como ondas de calor, enchentes e secas prolongadas tornaram-se cada vez mais frequentes, afetando diretamente a vida da população em todo o planeta.

Em Duque de Caxias, os efeitos dessas transformações também fazem parte da realidade. O município convive há décadas com problemas como enchentes, ocupação desordenada, poluição de rios e pressão sobre áreas de preservação ambiental.

Para a professora Marlúcia Santos de Sousa, moradora de Jardim Primavera e que atuou por 20 anos à frente do Museu de São Bento, a compreensão dos desafios ambientais da cidade passa pela própria formação geográfica do município.

Segundo ela, Duque de Caxias ocupa uma posição estratégica entre a região litorânea e a Serra do Mar, situada entre o oeste, norte e noroeste da Baía de Guanabara. O território abriga importantes formações montanhosas e áreas de Mata Atlântica que historicamente desempenharam papel fundamental na regulação dos recursos hídricos e do clima local.

“Existiam barreiras naturais que freavam as águas e as inundações eram pontuais. Açudes e áreas agrícolas também ajudavam nesse processo”, explica.

A especialista destaca que a degradação ambiental da Baixada Fluminense começou ainda durante o período colonial e foi intensificada pelo ciclo do café no século XIX. A região chegou a concentrar diversas fazendas produtoras, atividade que contribuiu para o desmatamento de extensas áreas de Mata Atlântica. Posteriormente, a exploração de madeira e as carvoarias ampliaram ainda mais os impactos sobre o meio ambiente.

Nas últimas décadas, o avanço urbano e industrial também alterou significativamente a dinâmica ambiental do município. A expansão de condomínios logísticos ao longo da Rodovia Washington Luiz e a crescente impermeabilização do solo são apontadas como fatores que contribuem para o agravamento das enchentes e para o aumento das temperaturas.

“A retirada da vegetação das margens dos rios e das áreas de Mata Atlântica amplia as inundações. A impermeabilização do solo, impulsionada pelo crescimento dos condomínios logísticos a partir da década de 1990, também contribuiu para o aumento do calor na cidade”, afirma.

Outro desafio apontado pela professora é a questão do saneamento básico. Segundo ela, a cobertura de tratamento de esgoto ainda é insuficiente em grande parte do município, situação que gera impactos ambientais e riscos à saúde pública.

A pesquisadora também chama atenção para os impactos provocados pela instalação da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), construída em uma área que anteriormente abrigava importantes manguezais às margens do Rio Iguaçu.

“Antes da criação da refinaria, os moradores utilizavam a água da região para diversas atividades do cotidiano. Vazamentos de produtos químicos impactaram não apenas o solo, mas também os rios que cercam o município”, destaca.

Marlúcia observa ainda que muitos moradores continuam dependentes de poços para o abastecimento de água em diferentes regiões da cidade.

“As pessoas ainda vivem em diversos distritos utilizando água de poço. Em algumas localidades, passaram a utilizar sistemas alternativos de abastecimento, o que é preocupante”, alerta.

Entre os maiores passivos ambientais da história do município está o antigo Lixão de Jardim Gramacho. Durante décadas, a área recebeu resíduos de diversos municípios da Região Metropolitana e se tornou símbolo da degradação ambiental da Baixada Fluminense.

“O lixão matou a vida que existia no local. Onde antes havia vida, passou a existir contaminação provocada pelo chorume e pelos resíduos acumulados ao longo dos anos”, afirma.

Apesar dos desafios, Duque de Caxias ainda abriga importantes áreas de preservação ambiental. A Reserva Biológica do Tinguá, a Área de Proteção Ambiental de São Bento, o Parque Equitativa e as áreas verdes de Xerém representam patrimônios naturais fundamentais para a conservação da biodiversidade, proteção dos recursos hídricos e equilíbrio climático da região.

Segundo a professora, a ampliação das políticas de preservação ganhou força após a Eco-92, contribuindo para a criação e fortalecimento de áreas protegidas no município.

Ao analisar o cenário atual, Marlúcia demonstra preocupação com o avanço das mudanças climáticas e com a perda de espaços de participação na gestão ambiental.

“A cidade de Duque de Caxias já sofre com fortes ondas de calor e os impactos ambientais se tornam cada vez mais evidentes. As unidades de conservação também perderam muito com o enfraquecimento dos conselhos gestores, que tinham papel importante na participação da sociedade”, avalia.

Enquanto o Dia Mundial do Meio Ambiente chama atenção para os desafios globais relacionados às mudanças climáticas, Duque de Caxias continua convivendo com problemas históricos que vão da ocupação desordenada à degradação de rios, manguezais e áreas verdes. Para especialistas, a preservação das unidades de conservação, a recuperação ambiental de áreas degradadas e a ampliação dos investimentos em saneamento serão fatores decisivos para o futuro ambiental do município.

Professora Marlucia

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