Saúde
CÂNCER DE RIM AVANÇA NO BRASIL: DIAGNÓSTICO PRECOCE PODE GARANTIR MAIS DE 90% DE CHANCES DE CURA
Por APARC – Associação de Pacientes Renais Crônicos Unidos pela Vida
Doença afeta mais de 8 mil brasileiros por ano e especialistas alertam para a importância dos exames de rotina
O câncer de rim tem se consolidado como um importante desafio para a saúde pública brasileira. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), aproximadamente 8.110 novos casos da doença são diagnosticados anualmente no país, sendo cerca de 4.900 em homens e 3.210 em mulheres.
Embora represente aproximadamente 3% de todos os tumores malignos diagnosticados no Brasil, especialistas destacam que o câncer renal apresenta elevadas taxas de cura quando identificado precocemente. O principal desafio é que, na maioria dos casos, a doença evolui de forma silenciosa, sem sintomas nas fases iniciais.
Perfil dos Pacientes e Fatores de Risco
O câncer de rim acomete principalmente pessoas entre 50 e 70 anos de idade. O tipo mais frequente é o carcinoma de células claras, responsável por cerca de 90% dos casos.
Entre os principais fatores de risco estão:
- Tabagismo;
- Hipertensão arterial;
- Obesidade;
- Histórico familiar da doença;
- Sedentarismo;
- Exposição prolongada a determinadas substâncias químicas.
Estudos apontam que fumantes apresentam até o dobro do risco de desenvolver câncer renal quando comparados a pessoas que nunca fumaram.
Crescimento dos Casos no Estado do Rio de Janeiro
No Estado do Rio de Janeiro, especialistas observam aumento no número de diagnósticos, fenômeno associado ao envelhecimento da população e à ampliação do acesso a exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética.
Muitos tumores renais são descobertos de forma incidental durante exames realizados para investigar outras condições clínicas. Essa identificação precoce tem contribuído significativamente para o aumento das taxas de sucesso terapêutico.
Além disso, o Rio de Janeiro tem se destacado nacionalmente pela incorporação de tecnologias avançadas em uro-oncologia, incluindo:
- Cirurgias robóticas;
- Videolaparoscopia;
- Técnicas minimamente invasivas;
- Procedimentos de preservação renal.
Essas inovações permitem maior precisão cirúrgica, recuperação mais rápida e menor impacto na qualidade de vida dos pacientes.
Principais Sintomas e Sinais de Alerta
Apesar de frequentemente não apresentar sintomas nos estágios iniciais, alguns sinais podem indicar a presença da doença:
Sangue na urina (hematúria)
É o sintoma mais clássico. A urina pode apresentar coloração avermelhada, rosada ou escurecida.
Dor lombar persistente
Dor contínua abaixo das costelas ou em um dos lados das costas que não melhora com repouso.
Presença de massa abdominal
Sensação de volume ou nódulo na região lateral do abdômen ou dos flancos.
Sintomas gerais
- Perda de peso sem causa aparente;
- Cansaço excessivo;
- Febre persistente;
- Falta de apetite;
- Inchaço nas pernas e tornozelos.
Hipertensão de difícil controle
Em alguns casos, alterações renais associadas ao tumor podem contribuir para o aumento da pressão arterial.
Diagnóstico Precoce Pode Salvar Vidas
Médicos reforçam que a realização periódica de exames de rotina é a principal ferramenta para detectar o câncer de rim em seus estágios iniciais.
Entre os exames mais utilizados estão:
- Ultrassonografia abdominal;
- Tomografia computadorizada;
- Ressonância magnética;
- Exames laboratoriais;
- Avaliação urológica especializada.
Quando identificado precocemente, o câncer renal apresenta índices de cura superiores a 90%, especialmente quando o tumor permanece restrito ao rim.
Tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS)
O tratamento do câncer renal é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O paciente deve inicialmente procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde receberá encaminhamento para avaliação especializada.
No Estado do Rio de Janeiro, destacam-se como referências:
Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Principal centro federal de referência em oncologia do país, oferecendo diagnóstico, cirurgias complexas e tratamento multidisciplinar.
Hospital Mário Kroeff
Referência histórica em oncologia, atendendo exclusivamente pelo SUS e realizando milhares de procedimentos oncológicos anualmente.
Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/UERJ)
Centro de excelência em procedimentos urológicos de alta complexidade, incluindo cirurgia robótica.
Pacientes que necessitam de tratamento em municípios diferentes de sua residência podem ter acesso ao programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), que auxilia no deslocamento e permanência durante o tratamento.
Rede Privada Oferece Acesso Mais Rápido às Tecnologias
Na saúde suplementar, o intervalo entre suspeita diagnóstica, realização dos exames e início do tratamento costuma ser menor.
Entre as tecnologias mais utilizadas estão:
- Nefrectomia parcial robótica;
- Terapias-alvo;
- Imunoterapia;
- Monitoramento avançado por imagem.
Hospitais reconhecidos pela excelência no tratamento oncológico incluem:
- Hospital Quinta D’Or;
- Hospital Samaritano;
- Clínica São Vicente;
- Hospital Copa Star.
Prevenção: A Melhor Estratégia
Embora não exista uma forma absoluta de prevenir o câncer renal, a adoção de hábitos saudáveis reduz significativamente os fatores de risco.
Especialistas recomendam:
✓ Não fumar;
✓ Controlar a pressão arterial;
✓ Manter o peso adequado;
✓ Praticar atividade física regularmente;
✓ Reduzir o consumo excessivo de sal;
✓ Evitar alimentos ultraprocessados;
✓ Manter hidratação adequada;
✓ Realizar consultas médicas e exames periódicos.
Junho Verde: Conscientização e Diagnóstico Precoce
Durante o mês de junho, diversas instituições promovem campanhas de conscientização sobre o câncer de rim e outras doenças renais. O movimento busca alertar a população para a importância dos exames preventivos e do reconhecimento dos sinais de alerta.
Especialistas reforçam que a informação continua sendo uma das principais ferramentas para combater a doença. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores serão as chances de cura, preservação da função renal e qualidade de vida.
Fontes de Referência
- Instituto Nacional de Câncer (INCA);
- Ministério da Saúde;
- Sociedade Brasileira de Urologia (SBU);
- Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN);
- Hospital Universitário Pedro Ernesto (UERJ);
- Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA);
- Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS);
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
APARC – Associação de Pacientes Renais Crônicos Unidos pela Vida
Duque de Caxias – RJ
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