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Educação

Protesto de famílias atípicas provoca tensão e embate político na Câmara de Duque de Caxias

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Um protesto de pais e mães atípicos, com apoio do SEPE Caxias, marcou a sessão da Câmara Municipal de Duque de Caxias nesta terça-feira (9), às 17h. As famílias cobraram mediadores escolares, terapias especializadas e melhorias no atendimento de crianças e jovens atípicos na rede municipal de educação e saúde.

A mobilização ocorreu durante a sessão legislativa e reuniu familiares na galeria do plenário, em um clima de forte tensão ao longo dos trabalhos.

Júnior Uios abre a sessão e recebe apoio da galeria

O vereador Júnior Uios (PDT), que é pai atípico, foi o primeiro a discursar na sessão e um dos nomes mais aplaudidos pelo público presente.

Em sua fala, destacou a pauta da inclusão e sua trajetória pessoal na defesa de direitos.

“Inclusão é muito mais que um equipamento público”, afirmou.

“Essa luta é nossa. Antes de ser vereador, meu filho e eu já estávamos em busca desses direitos”, completou.

O clima na galeria se intensificou ao longo da sessão, com gritos e manifestações de apoio e protesto direcionados aos parlamentares durante os discursos.

Andréia Zito cobra concurso e critica modelo de contratação

A vereadora Andréia Zito (PV) afirmou ter recebido representantes da comunidade autista de Xerém em seu gabinete e voltou a defender a realização de concurso público para contratação de profissionais especializados.

“É inadmissível que as famílias precisem se mobilizar constantemente para garantir direitos básicos”, declarou.

Base governista reage em meio à tensão

O líder do governo na Câmara, vereador Eduardo Moreira (MDB), defendeu as ações da gestão municipal e afirmou que há investimentos na área da inclusão e que os salários de servidores e funcionários estão em dia.

Segundo ele, parte das críticas feitas na tribuna distorce o cenário das políticas públicas em andamento. O parlamentar também afirmou que, em sua avaliação, nenhum governo anterior teria feito tanto pela inclusão quanto a atual gestão de Netinho Reis em 17 meses.

Embate em plenário entre governo e oposição

Durante a sessão, o líder do governo citou nominalmente o vereador Júnior Uios (PDT) ao defender a gestão e criticar posicionamentos feitos na tribuna.

A declaração gerou reação imediata de Júnior Uios, que abriu os braços em plenário durante o pronunciamento, em um gesto que elevou a tensão no ambiente legislativo e repercutiu entre os presentes.

Durante a sessão, nenhum outro vereador da base governista utilizou a tribuna, o que ampliou a percepção de tensão política no plenário.

Nos bastidores, vereadores relataram que o clima foi de forte desgaste, com dificuldade na condução dos trabalhos e aumento da pressão sobre a presidência da Casa.

Tumulto na galeria e atuação dos seguranças

A sessão também foi marcada por tumulto na galeria. Em diferentes momentos, agentes de segurança da Câmara precisaram intervir para conter manifestações mais intensas do público presente.

Em um dos episódios, um cidadão tentou filmar e fotografar a sessão, mas foi impedido por agentes de segurança da Casa. A abordagem gerou reação imediata da galeria.

O homem questionou a medida e afirmou:

“Isso é um absurdo. Aqui é a casa do povo. Não podemos ser impedidos. Mostra na lei onde está escrito que eu não posso filmar.”

A intervenção dos seguranças intensificou o clima de insatisfação entre os presentes.

Após a sessão: explicação de Júnior Uios

Após o encerramento da sessão, a reportagem procurou o vereador Júnior Uios em seu gabinete para comentar o gesto feito durante o discurso do líder do governo.

Segundo o parlamentar, a reação foi motivada pelas declarações de Eduardo Moreira sobre a situação da rede de atendimento voltada a crianças atípicas.

Sobre o CER IV, o vereador afirmou:

“O CER IV tem estrutura física adequada, mas a qualidade do atendimento ainda é um problema. Não é possível ter oito ou nove crianças sendo atendidas ao mesmo tempo”, disse.

Ele também criticou a demora na realização de exames com sedação.

“Uma tomografia com sedação pode levar quase um ano para ser feita”, afirmou.

Júnior Uios também cobrou a conclusão da Casa do Autista, que, segundo ele, ainda não foi entregue dentro do prazo previsto.

Durante a conversa, o parlamentar também comentou sobre o andamento da obra:

“Quando perguntei quando estaria pronta, me respondeu ‘em breve’. Eu respondi que já havia sido prometida para o mês passado. Neste ano, com certeza não inaugura”, declarou.

Movimento mantém mobilização

Segundo Quézia Queiroz, representante do movimento, a principal reivindicação segue sendo a falta de mediadores nas escolas municipais, o que, segundo as famílias, impede o pleno acesso de estudantes atípicos às aulas.

“Sem mediadores não tem inclusão”, afirmou.

O movimento informou que pretende manter as mobilizações e seguir cobrando medidas do poder público.

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