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Religião e Fé

Arquidiocese de São Sebastião recebe nova “flechada” no mês de seu padroeiro

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A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro enfrenta mais um episódio delicado justamente no mês dedicado ao seu padroeiro. Em um período simbólico para os fiéis, a instituição volta ao centro de uma crise que envolve fé, patrimônio e gestão.
A Justiça do Rio de Janeiro determinou o afastamento de Brígida Rachid José Pedro, administradora de quatro irmandades católicas centenárias ligadas à arquidiocese, após denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) por suposto desvio de cerca de R$ 12 milhões. A decisão foi do juiz Renan de Freitas Ongaratto, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, que também aceitou a denúncia, tornando Brígida ré por apropriação indébita e lavagem de dinheiro.
Segundo o MP-RJ, ela esteve à frente, por cerca de 15 anos, da administração da Venerável Irmandade do Glorioso Mártir São Brás, do Patrimônio da Caridade da mesma irmandade, da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte e da Caixa de Caridade vinculada à ordem, todas localizadas no Centro do Rio.
De acordo com a investigação, Brígida teria utilizado empresas de sua propriedade para prestar serviços às próprias irmandades que administrava, cobrando valores considerados superfaturados pelos agentes judiciais. O modelo levantou suspeitas e motivou a abertura do inquérito.
As irmandades são associações de fiéis leigos voltadas à vivência da fé, à preservação do patrimônio religioso e à prática da caridade. Embora funcionem juridicamente como associações civis sem fins lucrativos, ocupam um espaço simbólico relevante na história da Igreja no Rio. Por isso, segundo investigadores, o caso ganha maior sensibilidade ao envolver a confiança dos fiéis e instituições centenárias.
A atuação de Brígida à frente das entidades teria origem em uma herança familiar, já que seus pais também integraram as irmandades. Ainda assim, conforme sustenta o Ministério Público, a gestão teria se afastado de sua finalidade original.
O episódio se soma a outros desafios enfrentados pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Dom Orani João Tempesta. Acostumado a atravessar tempestades ao longo de sua trajetória à frente da arquidiocese, o cardeal agora enfrenta mais um desafio institucional: retirar outra flechada que atinge a Igreja do Rio, justamente no mês dedicado a São Sebastião.
Entre esses desafios estão as dificuldades financeiras decorrentes da Jornada Mundial da Juventude de 2013, o processo de recuperação do Hospital da Venerável Ordem Terceira e críticas recentes promovidas pelo Centro Dom Bosco à CNBB e ao pontificado do Papa Francisco.
Após a decisão judicial, a Mitra Arquidiocesana nomeou um interventor. O frei Ramon Assis da Silva foi designado administrador provisório, com a missão de reorganizar a gestão e preservar o patrimônio histórico e religioso das irmandades.
Brígida Rachid José Pedro responderá ao processo conforme tramitação conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da Área do Centro e Zona Portuária. Até o momento, não há manifestação pública de sua defesa.
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