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Saúde

Nos últimos dias, o Brasil voltou a se deparar com notícias duras sobre redes de exploração sexual infantil.

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Casos que causam espanto, indignação e, muitas vezes, a sensação de que algo assim acontece sempre longe da nossa realidade. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, novos desdobramentos do caso Jeffrey Epstein reforçam uma verdade incômoda: crimes desse tipo podem permanecer ocultos por anos, protegidos por relações de poder, prestígio e medo.
Quando uma denúncia aparece, quase nunca o problema é recente. O abuso sexual infantil costuma acontecer de forma silenciosa, repetida e escondida. Antes de qualquer investigação, geralmente já houve sinais. Mudanças de comportamento, queda no rendimento escolar, isolamento, medo excessivo ou atitudes que não combinam com a idade da criança. São alertas que, muitas vezes, passam despercebidos ou são minimizados no dia a dia.
Do ponto de vista psicológico, o impacto do abuso é profundo. A criança não perde apenas a sensação de segurança, mas também a confiança nos adultos e no próprio mundo. Em muitos casos, ela não consegue explicar o que viveu. Falta vocabulário, sobra confusão. Quando o agressor faz parte do convívio familiar ou social, o silêncio costuma ser ainda maior, sustentado pela culpa, pela vergonha e pelo medo de não ser acreditada.
Nem sempre o sofrimento aparece de forma clara. Algumas crianças se fecham, outras se tornam agressivas. Há quem volte a comportamentos já superados ou apresente uma sexualização precoce. Esses sinais não são provas, mas pedidos de atenção. Ignorá-los é, muitas vezes, permitir que a violência continue.
Cuidar exige presença. Exige escuta sem pressa, sem julgamento e sem tentativas de minimizar a dor. A criança precisa sentir que pode falar e que será levada a sério. Precisa saber que seu corpo deve ser respeitado e que pedir ajuda não é errado.
A prevenção começa em casa, na escola e nos espaços de convivência. Conversar sobre limites, orientar o uso da internet e acompanhar a rotina das crianças não é excesso de controle, é proteção. O silêncio, ao contrário, é o ambiente onde o abuso encontra espaço para se manter.
Os casos recentes deixam claro que a exploração sexual infantil não escolhe país, classe social ou contexto. Ela se sustenta onde há omissão. Falar sobre o tema incomoda, mas é necessário. O desconforto de abordar esse assunto nunca será maior do que o sofrimento de uma criança que não foi ouvida a tempo.

Por Douglas Ramos Psicólogo

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