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Entre o drama político e a sátira involuntária: “Dark Horse” estreia retratando a trajetória de Jair Bolsonaro

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DARK HORSE o Filme

O filme Dark Horse, que estreia cercado de expectativa, curiosidade e inevitáveis discussões nas redes sociais, mergulha na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma narrativa que mistura bastidores do poder, tensão política e momentos que flertam com o humor involuntário — característica que, para muitos analistas, marcou boa parte da carreira pública do ex-capitão.

A produção chega aos cinemas prometendo apresentar “o homem por trás do personagem”, mas sem abrir mão das polêmicas que transformaram Bolsonaro em uma das figuras mais divisivas da história recente do Brasil. Entre discursos inflamados, episódios controversos e cenas inspiradas em acontecimentos amplamente repercutidos durante sua passagem pelo Planalto, o longa parece apostar justamente no contraste entre o drama institucional e situações quase surreais que marcaram o cotidiano político nacional nos últimos anos.

Logo nos primeiros minutos, o espectador percebe que Dark Horse não tenta construir um retrato tradicional de herói político. Pelo contrário: o filme navega entre o suspense de uma campanha eleitoral imprevisível e o humor ácido provocado por episódios que parecem saídos de um roteiro de sátira política. Em determinados momentos, a sensação é de que o roteirista apenas copiou manchetes reais — sem necessidade de exageros.

A produção também explora a ascensão meteórica de Bolsonaro nas redes sociais, mostrando como transmissões ao vivo, declarações polêmicas e frases de efeito se tornaram ferramentas centrais para mobilizar apoiadores e dominar o debate público. Há cenas que remetem diretamente ao ambiente caótico das eleições de 2018, período em que o então deputado deixou de ser visto como figura periférica para ocupar o centro da política brasileira.

Mas é justamente o tom adotado pelo filme que deve gerar debates. Embora carregado de tensão política, Dark Horse inclui passagens que arrancam risos da plateia — algumas intencionais, outras talvez nem tanto. Expressões caricatas, reuniões tumultuadas e diálogos inspirados em episódios reais acabam transformando certos momentos em verdadeiras crônicas do absurdo brasileiro.

Nas redes sociais, a estreia já divide opiniões antes mesmo das primeiras sessões lotadas. Admiradores do ex-presidente enxergam a obra como um retrato de resistência política, enquanto críticos apontam que o filme suaviza episódios mais delicados de sua trajetória. Já parte do público parece interessada apenas no entretenimento proporcionado pela mistura improvável entre thriller político e comédia involuntária.

Do ponto de vista cinematográfico, Dark Horse aposta em fotografia sombria, trilha sonora intensa e uma narrativa acelerada, acompanhando o clima turbulento que dominou o cenário político nacional durante boa parte da última década. O resultado é um filme que, independentemente da posição ideológica do espectador, dificilmente passa despercebido.

No fim das contas, Dark Horse talvez funcione melhor quando aceita aquilo que a própria política brasileira frequentemente se tornou: um espetáculo onde drama, tensão, memes e frases improváveis convivem no mesmo palco. E, nesse aspecto, o longa parece ter compreendido perfeitamente o espírito de uma era em que a realidade muitas vezes superou a ficção.

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